terça-feira, 13 de outubro de 2009

Apertar

Sou peça na vida
Ventos me manipulam
O vento desejo
Leva-me a você
A paixão do vento
Trouxe-me você
O vento solidão
Passou como brisa
Nessa vida de peças
Choro, porque me falta água
E me sobra sede
Tenho rido da desgraça
Vou comendo ar
Engasgando a tempestade
Espirro flores sem cor
Não sou peça dessa peça
Não pretendo ser museu
Errei foi de teatro
Tive um pesadelo acordado
Mas, enfim, acordei ao teu lado

Rota

Naveguei em busca do fim
Remei contra maré
Observando a bela dona
Cabelos a chuva
Pele uniformemente molhada
Perfume doce como aprecio
Olhos cintilantes
Silueta montanhosa
Gosto memorável
Pensei encontrar o amor
Mas esse não se encontra
Duas vezes
Constrói-se um novo encontro

domingo, 11 de outubro de 2009

Despertar

Sonhos são meras realidades
Ainda que não vividas
A busca pela perfeição inicia
Um homem sensato
Um homem sensível
Um homem sincero
Um homem sociável
Um homem respeitador
Um homem responsável
Um homem paciente
Um homem otimista
Um homem leal
Um homem lindo
Um homem interessante
Um homem honesto
Um homem generoso
Um homem gostoso
Um homem fiel
Um homem educado
Um homem engraçado
Um homem dedicado
Um homem de bom gosto
Um homem de família
Um homem carinhoso
Um homem com pegada
Um homem compreensivo
Um homem confiável
Um homem culto
Um homem bem sucedido
Um homem bondoso
Um homem amigo
Um homem alto
Um homem apaixonado
Um homem atencioso
Mas não quero ser teu conto de fadas
Quero estar em tua realidade, meu amor.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Desejamos tudo, sem ainda termos desfrutado do nada
Esperamos que a flor não murchasse amanha
Enquanto o perfume poderia ser eternizado
Confiamos sem o medo de sermos traídos
E nos traímos nesse momento
Refletimos o passado
Idealizamos o futuro
O presente se anula
Viver eternamente
Seria descobrir que a vida
Só tem graça no fim
Os sonhos não acabam, realizam
Os desejos não cessam, transformam
As lágrimas não secam, incorporam
O fim só persiste, porque criamos o começo
O meu amor é eterno
Mas algumas coisas na vida são tão boas
Que nem nos importa se é verdade

domingo, 4 de outubro de 2009

Delírio

Não consigo escrever sobre o amor
As palavras tornaram-se signos, indecifráveis
O meu corpo deseja ser teu hospedeiro
O meu olfato, teu suor
O meu tato, tua pele
O meu olhar, o teu
O meu paladar, tua carne
A minha audição, teu suspiro
Quero aprender a tremer junto contigo
Preciso compensar a tua ausência
Não consigo
Necessito entender a saudade
É impossível
Tenho que conviver com a distância
Não admito
A exclusividade me torna cego
Ser uno me trás a paz
Ser breve, eu quero mais
Ser prudente, até que tento
Amar-te, estou vivendo

Negação afirmativa

Não tenho alma de poeta
Não tenho voz de cantor
Não tenho o talento do artista
Não tenho o dom de compor
Não tenho cara de amante
Não tenho o jeito de desejas
Não sei mais enganar
Só me restou a vida
E nada mais de basta
Meu rascunho ficou em branco
Onde a ordem é rabiscar
A razão da vida
É não poder lhe apagar

Restaurante

Sentei-me à mesa de teu corpo
Solicitei o cardápio
Onde está o preço?
Como posso comer, sem saber o quanto irá me custar.
Sempre custa caro amar,
Quando o prato raspado ficou.
Foi excelente apreciar
E sempre penso ou pensava
‘Não existe nada melhor’
Do que uma comida apimentada
Daquelas que fazem suar
Um suor com gosto de champagne
Com cheiro de desejo
Embriago-me só de pensar
Não bebia
Mas virei alcoólatra
Como podes ser doença e cura
Como pôde me dar um cheque sem fundo?
Depois decido como pagar
Pendura a conta

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